Ato de improviso

29 05 2014

A peça que segue foi totalmente improvisada e escrita após ter sido encenada. Aliás, de encenação não houve nada. Trata-se apenas de corações seduzidos pelo instinto e freados pelo receio do desconhecido. Assim, a cortina abre e o público faz silêncio. No palco…

Ato de Improviso

Noite de lua cheia. As silhuetas de duas figuras pousam sobre a pequena e comprida mureta do clássico bairro carioca.

Enquanto o vento sopra as pequenas marolas na baía, um distante barco quebra o silêncio com sua trilha sonora. Suas luzes coloridas acompanham o ritmo e dançam na superfície. Ainda assim, nada disso interfere nos pensamentos de dois corpos, que nas sombras das árvores, se refugiam dos postes. Para estes dois, aquele cenário é um singelo palco.

De um lado, a platéia, manifestada na constelação de prédios e vidas da orla do Rio de Janeiro. De outro, dois atores realizando um espetáculo espontâneo. Embora o roteiro seja de conhecimento de ambos, o final não está previsto e muito menos como determinadas ações devem ser executadas. Num ato livre, sem grande planejamento ou pormenores, o climax se consome. Um virado para rua, outro para o mar e lábios de encontro. Rótulos sociais distintos que, naquele momento, perdem função e dão margem apenas para um acalmar de anseios.

Antes inquietos, agora realizados. A despedida do “frio na barriga” cede lugar para um novo hóspede: aquela sensação de coração aconchegado. Naquele momento a noite respira. O estalar das folhas, o distorcer das luzes, o soprar do vento…

São componentes de um cenário que nunca teria vida, se não fosse… Pelo beijo.

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Apenas um fruto

8 11 2013

Nota do autor: Certo dia, enquanto conversava com uma amiga, ela comentou da frustração que é passar anos trabalhando em algo para apenas ter perspectiva de resultados em um futuro muito distante. O comentário me deu um estalo e me levou a escrever a fábula que segue. O que começou como um simples “saber lidar com uma frustração” virou uma espécie de “lição pra vida” de mim pra mim mesmo. Espero que isso faça tanto sentido para você como fez (e faz) para mim.

APENAS UM FRUTO

Era uma vez um jovem que morava com sua família em uma pequena vila. José era seu nome. Aprendiz de carpinteiro. Heitor era o nome de seu pai. Hábil carpinteiro. Paulo era o nome de seu avô. Exímio carpinteiro. Cornélio era o nome de seu bisavô. Fugitivo de uma guerra na qual aprendeu carpintaria enquanto foi mantido em um campo de concentração.

Carpintaria era uma tradição para a família de José. Carpintaria era o legado que corria no seu sangue. Carpintaria o seu propósito de vida e de todos os seus descendentes. Ao menos, seria, se não fossem por aquelas malditas Manguejelas.

Manguejelas são pequenos frutos roxos que, quando maduros, ficam dourados e reluzem à luz do sol. Manguejelas lembram o formato de uma berinjela, mas quando abertas são doces como uma saborosa manga. Verdade seja dita, o fruto é delicioso e, enquanto muitos debatem se é uma fruta ou um legume, alguns seletos mercadores a vendem por preços elevadíssimos. Não se engane. A Manguejela não é encontrada na sua típica vendinha-da-feira-de-domingo. Manguejelas são raras e, por isso, usadas em refinados pratos autorais (mais conhecidos como “experiências gastronômicas”), receitas inusitadas e naquele sorvete que custa o olho da cara (mas é delicioso).

Diante da beleza e o sabor da Manguejela, era apenas natural que José tivesse ficado obcecado pelo fruto. Ninguém esperava que o cliente do Seu Heitor fosse pagar por aquela cadeira de madeira com uma Manguejela. A proposta era inusitada, mas o pagamento muito acima do valor do serviço prestado. Naquela noite, Dona Lica preparou um inesquecível prato de Manguejela grelhada com Javafinho frito. Seus olhos brilharam ao ver o marido e o filho gemendo de satisfação enquanto degustavam a obra.

Dona Lica, no entanto, sabia que era bem capaz de José demorar um bom tempo até comer seu próximo prato de Manguejela e quis agradar o filho lhe oferecendo as três sementes que estavam dentro do fruto. José ficou maravilhado ao imaginar que ele teria como criar inúmeras outras Manguejelas com aquelas minúsculas sementinhas que mais pareciam gergelim e as guardou com muito cuidado em um frasco.
A vida de um carpinteiro, no entanto, é muito exigente e ao longo dos anos seguintes José se tornou um ávido assistente de seu pai. Dia e noite os dois trabalharam até que filas se formavam para admirar os móveis e esculturas de madeira e requisitar novos. A vida era boa e nenhum dos três membros da família tinha do que reclamar – ao menos profissionalmente.

Certo dia, Seu Heitor pediu que José cumprisse uma encomenda para um cliente. José fez o que lhe foi solicitado: uma bela escultura de madeira. No entanto, o que era belo em termos técnicos e de acordo com todos os critérios definidos não surtiu o efeito desejado no seu pai, Heitor, ou no cliente. Algo estava ausente.

Foi então que um estalo ocorreu na mente de José. Ele percebeu que, por mais que tivesse se tornado em um excelente carpinteiro, a atividade desempenhada era automática. Não havia paixão. Não havia amor. Não havia emoção nas suas criações e por mais impecáveis que elas fossem, lhe faltava o sopro da vida. Nesse dia, José tomou uma decisão.

Uma mão segurava uma pequena mala enquanto a outra acenava para Seu Heitor e Dona Lica. José estava se despedindo e, embora a decisão não tivesse sido fácil, ele tinha certeza do que queria. Seus pais poderiam lhe oferecer toda a segurança do mundo, mas nunca a certeza da sua realização própria. Faltava aquele combustível na sua vida. Faltava aquela motivação para sorrir ao imaginar o dia de amanhã. José olhou para o pequeno frasco e sorriu.

Plantar Manguejelas apenas parecia fácil. Os cuidados indicados para o solo eram muitos e, com o pouco dinheiro que tinha, José apenas conseguiu comprar um minúsculo terreno no meio do nada. O solo não era favorável e muito menos o clima. Embora a vontade fosse forte, José resistiu e decidiu pesquisar o máximo possível antes de tomar uma atitude. Afinal, com apenas três sementes para gastar, qualquer erro poderia ser fatal. E ele definitivamente não queria voltar para seus pais com o rabo entre as pernas.

Finalmente, após meses, a data chegou. A meteorologia indicava um clima favorável, o solo já estava arado há meses e nutrido por causa de outras plantações. Afinal, nem só de Manguejelas vive o homem e José precisava comer. Por isso, o jovem precisou plantar tantas outras frutas, verduras e legumes que garantissem sua subsistência.

Ainda assim, qualquer estudioso de Manguejela sabia que sementes plantadas, sob as condições adequadas, demoravam em média oito anos para gerar algum fruto. Aliás, “algum” significava uma chance de 35% por causa da natureza frágil da Manguejela.

Tendo isso em mente, José plantou as sementes e foi paciente. Ao longo dos anos, o seu pequeno casebre e terreno foram crescendo em tamanho e fama. Mercadores viajantes visitavam a fazenda para conhecer o “garoto que largou tudo para plantar Manguejelas”. Jornalistas publicaram notícias e devotos enxergaram sinais divinos em situação. O comércio passou a florescer, pessoas se tornaram habituais na região e todo um ecossistema ganhou forma por causa das (futuras) Manguejelas de José.

Anos se passaram e José decidiu expandir o quarto de visitas – afinal, muitos viajantes se hospedavam nele. Com o dinheiro do aluguel, José decidiu abrir uma pousada. Chalés coloridos foram construídos. Uma sala de estar aqui. Alguns animais ali. Um empreendimento de sucesso.

Mais alguns verões e veio Myca, a fiel companheira de José. Invernos depois, Julla nasceu e o agito de seu riso infantil para os corredores do famoso “Manguejela Hotel Fazenda”. Curiosamente, no entanto, dez anos tinham sido contados, mas nenhuma Manguejela encontrada.

Certa manhã, Myca percebeu que Julla tropeçou em algo no quintal. Ao observar uma raiz saindo do chão, chamou José. O carpinteiro-por-formação puxou a raiz e apertou as pálpebras com força quando o pequeno fruto reluziu. Era uma Manguejela. A única sobrevivente de três sementes, mas a prova de que era sua determinação havia surtido resultado.

– Myca, amor. – José chamou a esposa.

– Sim?

– Tome isso. Hoje o jantar vai ser diferente de qualquer coisa que você já comeu.

– Uma Manguejela! Ela nasceu? Isso é incrível! Ainda mais depois de todo esse tempo.

– Pois, é! Uma das sementes floresceu.

– E você quer que faça um prato de comida com ela? Com o único fruto que você colheu em mais de dez anos?

– Myca. Olhe a sua volta. Veja os animais, os chalés, os mercadores, a cidade, nossas plantações. Olha pra gente. Olha pra nossa filha. Esse é apenas um fruto.

Myca ficou sem reação.

– Não faz essa cara, não. Sorria! Hoje vamos comer Manguejela grelhada com Javafinho frito. Ah, e não esquece de guardar as sementes para Julla. Acho que ela vai gostar.

 





Breaking the Haze

21 11 2012

 

Tick. Tock. Tick. Tock. Tick. Tock.

An endless haze of uncertainty.

 

Tick. Tock. Tick. Tock.

As the rain pours, you try to piece together a confusing mist of intertwined past, present, and future.

 

Tick. Tock.

Unable to be controlled, unable to be foretold.

Time advances and, as a result of your actions, so do they.

It’s run or get caught. Unless change is stimulated, they will come for you.

And when that happens, not even destiny will be able to save you.

At this point, destiny is irrelevant.

 

Tick.

So what’ll be?

What’s done is done.

But what can be done now… is up to you.

 

Tock.

They’re here. Stop wasting time.

You’re already soaked.

Take action.

Go!





Ghouls Não Choram

11 02 2011

O conto que segue adiante foi elaborado para a “Promoção Conto Pós Apocalíptico” do blog Girls of War. Foi uma divertida oportunidade para escrever uma “fanfic” em até 4 mil caracteres (basicamente 1 página de word) sobre o universo da série Fallout. Contudo, por esse mesmo motivo, vale destacar que alguns termos podem ser desconhecidos àqueles que nunca jogaram ou não conhecem o universo da série, especialmente o cenário retratado no jogo Fallout 3. Os termos não traduzidos estão em negrito. Divirtam-se!

Desde a minha infância exibi potencial para desbravar as terras ermas. O fato de continuamente me esconder, de me mover velozmente e não fazer barulho são características que me acompanham desde que eu me entendo por gente. Quer dizer, eu e minha vila. Não foi nenhum espanto, portanto, quando me designaram como batedor. Há anos exerço essa função, e há anos corro o risco de morrer ao vasculhar o que restou das terras de meus antepassados por comida, ferramentas, armas e qualquer coisa que possa ser útil para a sobrevivência do meu povo.

Contudo, nem só de sobras vive o homem. Parte essencial da nossa motivação, conhecimento e entretenimento vem dos livros que arrumamos em nossas viagens. É inegável o fato de que aprendemos muito com essas compilações de papel marrom e tinta quase apagada. As histórias de como nossos antecendentes viviam em um mundo completamente diferente – sem água radioativa e garras-da-morte – sempre me intrigou. Não eram apenas momentos de escapismo, mas também de esperança, por serem obras que nos informavam de um mundo que os avós dos nossos pais conheceram, onde plantas eram capazes de crescer em variadas cores e a poeira não se infiltrava por qualquer fresta.

No entanto, ao passo que, em mim, os livros causavam a vontade de não arriscar minha vida passeando fora da vila, nos jovens os elaborados e fantásticos contos os deixavam apenas mais afoitos para se aventurar. Nossa biblioteca era reduzida, e as mesmas histórias, lidas repetidas vezes, continuamente inflamavam os espíritos de nossos filhos. Por isso, quando ouvi falar da existência de um suposto “livreiro” na região, não hesitei em procurá-lo. Era a peça chave para expandir o repertório de nossos leitores. Read the rest of this entry »





Primus Bacon: Primeiro Lugar na Mostra de Personagens PARLA!

5 11 2009
Primus Bacon no PARLA!

Primus Bacon no PARLA!

No dia 08 de outubro, durante a SB Games 2009 na PUC-Rio, teve início a mostra de Personagens PARLA!. Um concurso no qual o personagem Primus Bacon, criação minha em co-autoria com Larissa Fuchs, foi premiado com o primeiro lugar. Em meio à uma diversidade de conceitos e projetos de personagens Primus, o conhecido porco da casa de tijolos da fábula dos três porquinhos, se destacou. Não ganhou por ser uma versão reciclada da famosa fábula, mas por contar os fatos que sucedem a tragédia vivida pelo porco após os eventos da versão original de 1843 de James Orchard Halliwell-Phillipps. O personagem está exposto em tamanho real, ao lado de suas pranchas (e os outros premiados), no Solar Grandjean de Montigny da PUC-Rio.

Medindo 1,67m e pesando 200kg, Primus Bacon é uma alma ingênua, instável e angustiada que vive no robusto corpo de um porco. Um ser que hospeda, em função do ataque do Lobo Mau que sobreviveu anos atrás, um palco de duelo espiritual entre seus sentimentos de culpa e a sua determinação em atingir a felicidade. É o único porquinho sobrevivente dos eventos da fábula original “Os Três Porquinhos e o Lobo Mau” e, apesar de ao final comer o lobo assassino em um ensopado, o porquinho não consegue evitar a morte de seus dois irmãos. O sentimento de culpa e de responsabilidade fraterna juntamente com a solidão da fria casa de tijolos levam Bacon a entrar em profunda depressão. Alguns meses mais tarde, ele percebe que precisa ocupar sua mente e deixar para trás o passado que o assombra. Assim, Primus decide se mudar do ambiente rural para tentar a vida na cidade grande.

Pranchas PARLA! - Primus Bacon

Pranchas do Personagem

O ambiente urbano oferece oportunidades a Primus e ao procurar por empregos ele é contratado por uma construtora. Diante a frenética rotina de trabalho, Bacon passa a ocupar seu cotidiano com preocupações urbanas e mundanas. A vida ganha um novo sentido e não resta mais tempo para pensar. A triste memória da morte dos seus irmãos é substituída por freqüentes atividades sociais incluindo encontrar amigos em academias, após o trabalho, e sair para bares em busca de álcool, música e mulheres. Bacon se torna em um ser dividido entre a dedicação profissional e a busca por integração social e seus irmãos passam a visitá-lo apenas em eventuais pesadelos. Contudo, certo dia, no caminho para o trabalho, Primus repara um lançamento de livro que ocorre no interior de uma livraria. Curioso e suspeito, ele entra e pega um dos exemplares com o título “Os Três Porquinhos e o Lobo Mau”. Ao perceber que a história relata os acontecimentos do seu passado que levaram à morte dos seus irmãos, mas de maneira deturpada, Primus tem um ataque nervoso. Ele se enfurece, perde o controle próprio e avança na direção do Lobo que alega ser o autor. Em meio ao agressivo debate, Bacon é retirado por seguranças e entra em um ciclo depressivo. O escândalo da livraria é publicado nos jornais e o livro sobe para os bestsellers. Ele se esconde da sociedade durante meses e passa a gastar todo seu dinheiro em bebidas para tentar esquecer o evento e o seu passado. Em meio ao seu arrependimento, Bacon faz uma tatuagem no braço em homenagem aos irmãos e passa anos seguidos trancado em seu apartamento se ocupando com brinquedos infantis ao tentar reviver a felicidade de épocas passadas.

Primus Bacon Rosto - PARLA!

Primus Bacon em um Momento Feliz

Meses depois, no caminho para comprar mais bebidas, Bacon se depara com a entrada para um novo consultório terapêutico. Ele conclui que precisa de ajuda para tratar seus problemas emocionais e psicológicos e decide arriscar. Lá encontra uma sessão de terapia em grupo com vários outros personagens de fábulas que passam pela mesma frustração que a sua: a de não ter a verdadeira versão de sua história contada publicamente.

A exposição do Solar da PUC-Rio vai até o dia 6 de novembro (sexta-feira),  então não perca tempo e confira as possíveis datas e horários.

1843 por James Orchard Halliwell-Phillipps





My Legacy

5 02 2009

An old man, resembling your great grandfather, approaches you with a small black notebook in hand. He breathes deeply and blinks his eyes, like your grandfather would. Then, he opens his mouth, as your father did, and begins to speak:

And so, here we are. How many years has it been? Quite a few right?

You can’t hear as well as you used to. You can’t run as fast. Jump as high. Talk as eloquently.

But you sure can write.

Worry not, society has that habit of always confusing you, pushing you one way, then the other. You’re not really sure in what to believe. What to follow. Who to trust. What to long for.

It just feels…empty. A void that evidently lacks that special element. One that will never be found, not unless you truly understand what you are searching for.

Life is split into three moments. During the first one, you’re actually looking for a goal. Something to pursue. That special something that’ll show you life actually has a purpose and through it everything will fit into place.

That is, until you actually find what you’re looking for. Then comes into place the second moment. A time of sweat and despair in which you’re just doing your best to achieve that special objective you’ve already determined for yourself. The smile you attained by laying eyes of your life’s passion is only hampered by the thought of not achieving it, for whatever reason.

After many years, you finally reach the pinnacle of happiness. That sweet sublime stage in which all obstacles have been conquered and your career has surrendered to your skilful attributes and abilities. Or so you thought.

It was all a hoax and you weren’t ready for the shock. It was all and scam and you fell for it. Get real. What were you thinking? Life was your own personal hammock?

And so you realize that even after attaining whatever it is you thought would make you whole, you’re not complete. You’re missing something. You lack purpose. You lack essence. Thus, after wiping the sweat from your weary heart, you come to the conclusion that you’ve been searching for the wrong thing. The third moment, which could actually be identified as a repetition of the first one, then begins.

A totally newly repetitive phase you’ve seen before. Only this time you don’t have the same motivation and naivety as before. A shorter quest that holds even more responsibility that the first one.

Years pass. Decades go by. Before you know it, you don’t even know what were your initial motives and your final conclusions. In a blink of an eye you decide stop, either because you’ve given up or because you’re dead.

If there’s one thing certain about life, it’s that you won’t make it out alive. Because we yearn for more time to sort out our baggage, we crave immortality.

This is my way of achieving eternal life. Hold my journal in your hands. Read it, study it, and learn from it. Perhaps someday my legacy will unveil greater mysteries. Perhaps someday we will be satisfied with ourselves.





Tears Do Not Heal Scars

22 01 2009

Act I

A tall thin man brushed through the backstage curtains and stepped onto the old wooden stage. His eyes looked tired, but he wore a grin along the face. Slowly, he bowed before the buzzing crowd and grabbed a long spear from the floor.

There was no spotlight, but the crowd of men, women, and children sitting of wooden chairs began to turn silent. The frail man then touched the tip of the spear’s steel head with his finger and showed the blood trickling from the tip. He smiled, sucked the blood with his mouth, then used his right hand to grab the spear’s shaft and swiftly throw it into the stage floor. The sharp edge drove through the wood and made a loud thud. The crowd was startled and went silent.

With his hands free, the thirty-something aged performer calmly took off his shirt. Although gradual, it didn’t make the spectators feel any less awkward. People gasped as the man’s frail body was revealed. Once done and wearing only pants and shoes the man dropped his shirt on the stage floor and smiled back at the frightened eyes and mouths across the hall.

He understood their widened pupils. After all, his scars covered his torso and back. Some were small and revealed only a small portion of elevated skin, but some started at the shoulder and ended at the hip. Other scars formed weird drawings, some X shaped, others went zigzag. It was impossible to determine whether all or some of them had the same age. Though unlikely, there were so many scars it was hard to tell. To the audience, the scene was disturbing at least. Either a lot of people wanted that man dead or he enjoyed pain.

As used to it as he seemed to be, the entertainer blushed. His grin widened even more, but his eyes expressed a slight shyness. He cleared his throat and spoke the following words as his hands freely strummed through the air:

Good evening dear audience, ladies, gentlemen, boys, and girls. Tonight, I, the one without a name, will be executing an astounding feat. I’ve wept enough throughout my life to know this by heart, but…as all you should know,

Tears Do Not Heal Scars.

Please pay close attention to this lesson, because during the following days I will perform my greatest act. Many people call it disgusting, some consider it insane, others refer to me as the undead, but I’d rather dub this as the “Healing Act”.

I will not be interrupted during this process, no matter the consequences. Feel free to eat, drink, leave, and come back during the spectacle, but please keep in mind the show must go on. Kids, don’t try this at home, but do watch closely if you want to learn something.

With that said, the entertainer (if one could be called that way), picked up the sharp spear and placed its base vertically in a tight gap between two slightly old wooden planks from the stage. Once having tested if the spear would not move accidentally, the man started tilting its tip towards his chest. Viewers did not understand the scene. Some frowned, others leaned forward, and a few leapt from their seats when blood started dripping.

Slowly, the head blades crept toward the heart. Blood curled along the spear as it hit the skin. The flesh cried as muscles and bones were violated. Red tears poured across the floor and slid through the maze of scars. All of them glittered, but none of them seemed to get any better. The pain was visible, as the man’s face agonized with contorted expressions.

My god! He’s killing himself!

Women started screaming, some men laughed, families left, and a few creeps remained. Among the “so called” creeps, two beings stood out: a young bearded sir who constantly wrote on his notepad, while balancing his chair on two legs and a small boy naively biting his lower lip and observing with large curious eyes. Unlike the remaining spectators that seemed to enjoy the gore, those two actually tried to learn something from the spectacle.

Finally the whole head pierced the man’s body and among the river of blood, only the spear’s shaft could be seen. What was once brown polished wood, now resembled a dark wine-like taint. Somehow the man still breathed and he held the shaft with both hands, constantly pulling the spear inward and playing a morbid tug-o-war with death.

The pain was indescribable. The man’s feet trembled and barely managed to support the half-alive body. The man’s eyes began to close and he embraced darkness in his thoughts. Suddenly his hands lost grip of the shaft and began to dangle lifelessly.

Act II

The crowd had somehow refreshed. Children weren’t a common sight, but a new batch of men and women sadistically observed the impaled body sluggishly descending on the spear. Many did not notice, but the body came to a halt when the spear’s head hit the skin on the man’s back, from the inside.

After a few minutes still, the tip of the spear head popped at the back accompanied by the sound of tearing flesh. The long forgotten pain woke up what seemed like a day-old body. The man’s eyes opened and his mouth widened as if desperate for air. His neck stretched as far as it could and his right lung, which was still intact, begged for air. An almost silent inspiration followed by an excruciating scream.

The dry blood on the floor boards meant to many in the crowd that the entertainer was long dead. That resurrection meant, nevertheless, that he never died and it startled those men, except for the young boy and the writer. Their eyes never faltered and their attentiveness as well. They paid close attention, unlike many who saw the performance as a mere act of entertainment.

The man’s hands no longer dangled, but rather firmly held the spear’s shaft. He maintained the torturous process, pulling the spear inward and feeling it exit behind his torso. His breathing was heavy and constant, as if it took years of discipline to execute inhale and exhale steadily in those circumstances. Sweat mixed with dry blood dripped from his forehead. What seemed like an impossible task, also lifted many burdens, as the man’s faint smile could not be hidden.

After the entirety of the spear head had already traversed through the man’s body, he felt relieved. No longer would those blades need to rip his flesh anymore. Only the shaft remained, but the wooden cylinder occupied less room than the triangular shaped blade. Since the spear was firmly held in place by the stage floorboards, the man no longer needed to force the weapon inward. The man let go his hands and simply started slouching towards the floor. His movement was slow and resembled that of a near-death vampire with human-sized steak driven through one’s body. The steps were taken one at a time, but eventually no effort needed to be made any longer.

The man simply stopped moving and leaned forward, his body slid on the remainder of the spear’s shaft and the man’s face hit the floor. The loud smack of flesh and bones kept the audience on their feet, but after a while of apparent death, once again, they lost their interest in the presentation. Like sheep being herded, almost all of them left. A few booed and waited a bit longer, but eventually only two spectators remained, watching as the spear-driven corpse laid on the stage floor.

Act III

The sunlight made its way through the boarded windows in the auditorium. The rays hit the corpse’s pale eyes and brought back life to the flesh that almost became one with the floorboards. A few feet away stood the note taker and curious eyes, always watchful and attentive to any event.

The man breathed heavily, making out the most of the only intact lung he had left. Not even bothering to stand up, he slowly lifted his arms and grabbed the spear shaft that stuck out from his back. With what little strength he had left, the man wiggled in order to loosen the spear from the floorboards. He kept shaking it, side to side, hoping to detach it from the stage floor, but nothing happened. He kept trying and both the boy and the writer approached. The performer never stopped trying, but his eyes focused on both spectators. No subtitle was needed; both of them stepped back and silently watched.

After wiggling the spear in vain, the man decided to give one precise tug at the shaft. He tried holding firmly, though his hands were sweating, and without hesitating placed all his remaining strength into the movement. The spear detached from the stage floor and seemed to pop out. The man carefully pushed it away, avoiding the contact with any exposed internal organs, and relaxed. Every muscle in his body, even those torn apart, relaxed. Every inch of the man’s body stopped contracting and would have liquefied, if they could. What once were groans now manifested as deep sighs of relief.

After a few minutes of rest, the man got up. He slowly lifted his body and stood facing what remained of the once populous audience. Upon the sight of both a possibly a man in his thirties and a boy under eleven, the man smiled. He stepped toward the stage’s edge and squatted on his weary heels. The hole in the man’s chest made torn heart, lung, bones, and tissue visible, not to mention the pink curtain stage behind him. That scene frightened the man’s lonely witnesses, but luring them wasn’t hard. He placed his hand inside his pocket and from it retrieved two glittering white pearls. The small polished spheres shone in those red hands of dry blood.

For pigs do not deserve pearls, but you two are different. Here is my token of appreciation. Might you have any questions?

The young boy hesitantly raised his hand and asked:

What was the hardest part?

The man licked his lips as if preparing to talk. He glanced at the second spectator and noticed the man did not stop taking notes once.

Once wounded, there isn’t much one can do…except confront the pain. Once the spear head has already perforated your flesh, the best thing to do is drive it in and get it out. The problem is it will perforate you again, but once it has gone through your body, the final stings of the flesh cutting edges are the hardest. After that you’ll have to put the matter behind you, but many are not willing to do so. How long does one take to get rid of the pain and the problem? It depends, how far are you willing to pull the spear?

So the worst part was getting the spear out…- the boy concluded.

Indeed. Once the spear head is out, you know the shaft won’t hurt as much because it’s smaller. It’s a matter of putting issues and the pain behind you and preparing for what lies ahead, which inevitably takes time.

What about the scars? Don’t they bring back memories? – Asked the writer while taking down notes on his pad.

They always do. Every scar is a story, a show, a performance. But in time those memories tend to affect less your heart and mind. That is, if you’re willing to advance. Unless the spear has been extracted from one’s body, the scars will never have a chance to form. Though thoughts come to mind, time rewards those with disposition. Some, on the other hand, prefer to remain forever trapped in pain impaled by the spear. They don’t confront the pain and they don’t try to end it as well.

The man slowly stood up and futilely tried cleaning his hands by patting his pants.

I couldn’t ask for better viewers. You’ve been a great audience, the best. Value these lessons. Keep smiling and keep writing.

The teacher’s back revealed new scars that had been formed through the course of those few days. Though both spectators could see the man’s ripped dangling heart, they had no insight on his feelings. Leaving his bloody spear behind, past the stage curtains the frail man slipped, never again to be seen.

Epilogue

If scars bring back memories, so does the spear. Ever since I placed it on my wall I need only one glance to remember the notes I took on that fateful day. No grief or sadness could ever make those moments return. Ever since, I’ve carried a smile on my face because I know tears won’t help. They’re fruitless and they end here.








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