Games e Futuros Desejáveis

12 06 2009

No dia 10 de junho eu participei do evento Crie Futuros no NAVE (Núcleo Avançado de Educação). Um movimento transdiciplinar semeador de imagens de futuros desejáveis para motivar, orientar escolhas e inspirar inovação que dedicou um dia para a questão dos games. O encontro multinacional aconteceu nas instalações da Oi Futuro, no Rio de Janeiro, e foi transmitido simultaneamente para outros sete países, com a participação presencial e online de “crie-futuristas”.

Crie Futuros & Games

Crie Futuros & Games

Foi sem dúvida uma ótima experiência poder participar e representar o Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV, que é o centro de pesquisa do qual faço parte. Foi um momento ideal para mostrar para a sociedade que os jogos são uma ferramenta que pode ser utilizada para diferentes finalidades, mas precisa – antes de mais nada – ser compreendida como um veículo da expressão cultural e artística. Junto, participando ativamente, estavam figuras aliadas da indústria nacional de jogos eletrônicos como Guilherme Xavier desenvolvedor do Capoeira Legends; Yves Albuquerque, Marcos Venturelli e  Bruna Lombardo da Magus Ludens; Roger Tavares do GameCultura e figuras externas como Marcio Burochowsky da Campus Party e Adailton Medeiros do Ponto Cine.

Acho que a melhor parte foi o agradecimento de uma pessoa que ao final do evento veio me falar que sua visão sobre os supostos (inserir adjetivo negativo) games havia mudado.

Para quem quiser conferir o evento e a minha participação seguem as instruções: Read the rest of this entry »





Objection! #3 – Liberdade “Gaymer”

23 05 2009

Originalmente Publicado em EArena Games

O sexo muda a forma de jogar? Polêmico, Arthur Protasio insere o debate!

Não é mistério que os jogos eletrônicos representam uma mídia universal. Há variados gêneros e diferentes histórias, cada um com seu público-alvo em mente. Há jogos infantis, há jogos de estratégia, há jogos curtos para os “casuais”, assim como aquelas experiências de 60 horas que visam saciar o usuário sedento por RPG. Embora muitos dos grandes lançamentos comerciais sejam voltados para um público alvo masculino repleto de testosterona, um dos grandes marcos do entretenimento digital foi o icônico Mario. O jogo provou que qualquer pessoa, independentemente de ideologia, podia controlar o encanador bigodudo, desde mulheres, crianças até homens depois da meia idade.

Over the Rainbow
Over the Rainbow Achievement

O homossexualismo por sua vez nunca foi novidade na história do mundo. Comum e apoiada na Grécia, as relações entre homens eram incentivadas por criarem laços afetivos entre soldados e possuírem um fundamento estratégico. Isso foi, no entanto, há séculos e hoje em dia o entendimento é outro, especialmente em contato com uma mídia recente como a dos games. Sendo boa parte do público hardcore composta, até então, por homens entre seus 18 e 30 anos,  a maioria dos jogos voltados para o público ocidental – o conceito de masculinidade no oriente é diferente – exibe uma quantidade exagerada de sangue, tiros, explosões, sexo (heterossexual) e protagonistas que exalam segurança através de músculos e linguagem mal educada – Marcus Phoenix que o diga. Com o tempo, no entanto, esse quadro está se alterando. Não só há uma inserção maior de mulheres no meio, sejam como desenvolvedoras ou jogadoras, assim como uma abertura maior para o público não heterossexual. É ao menos o que o conteúdo de alguns jogos indicam. Read the rest of this entry »





Objection! #2 – A Voz da Narrativa

20 04 2009

Originalmente Publicado em EArena Games

Em sua segunda coluna, Arthur Protasio mostra o valor de uma história bem contada! Senta, que lá vem história!

Call of Duty 4 by Julio Estrada

Call of Duty 4

Não é mistério que a narrativa nos games se tornou mais elaborada de anos atrás para cá. Não significa dizer que narrativas complexas são uma novidade, mas que a atenção dada a elas tem aumentado e a quantidade de jogos preocupados com a mesma também. Não mais são apenas os RPGs associados com a ideia de uma boa história ou experiência. Ocorre que apesar de todo esse quadro, ainda se acredita que a narrativa nos jogos eletrônicos tem muito o que aprender.

É dito que os jogos eletrônicos, por representarem uma mídia recente, copiam outras, como o cinema. Alguns alegam que essa similaridade é positiva, pois permite que os jogadores vivenciem a ação no melhor estilo hollywoodiano. Outros, como Jonathan Blow (criador de Braid), afirmam que o forte dos jogos digitais é a interação e, se a mesma for suprimida em favor de uma história (que já não é boa), teremos o equivalente a filmes ruins. Read the rest of this entry »





Objection! #1 – Introdução

7 04 2009

Originalmente Publicado em EArena Games

Arthur Protasio, nosso mais novo colunista, apresenta a sua coluna e mostra a que veio!

Objection!

Objection!

Atualmente, a quantidade de informação a que estamos sujeitos – com todo esse papo de globalização e digitalização – é absurda. Basta olhar para o lado e se deparar com uma manchete de jornal, um anúncio ou as duas coisas repetidas por volta de trinta vezes, mas de maneira diferentes na internet. Não importa em qual site você entra ou o que você acessa; há informação para todo lado. É muito fácil concordar com tudo que nós vemos. É uma quantidade tão grande de afirmações que é perfeitamente normal não ter tempo ou discernimento para avaliar o que nos é oferecido. Assim, nós incorporamos verdades sem avaliar até que ponto concordamos com as mesmas. É justamente isso que eu quero evitar: a aceitação automática de dados.

Mas o que isso tudo tem a ver com essa coluna e, especialmente, com games?
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Objection! – Entrevista Arthur Protasio

1 04 2009

Originalmente publicado no portal EArena Games

Entrevista: Apresentando Arthur Protasio

Por Márcio Filho – Direto do Rio de Janeiro

Little Computer People

Little Computer People

Arthur Protasio. Quem está ligado no mercado já ouviu falar do nome dessa figura. Dono de uma escrita literária, cheia de referências – que também pode ser conferida no seu blog -, porém muita fluída e descontraída, Protasio vem despontando no mercado como um dos grandes nomes para o roteiro. Com sua narrativa única e uma cultura que o permite navegar por diversos meios – e levar o leitor junto, em um divertido passeio – Protasio levará você, usuário do EArenaGames a refletir sobre diversas coisas que ocorrem no mundo dos games, trazendo curiosidades e histórias incríveis.

Arthur Protasio é o nosso mais novo colunista e para que vocês possam tomar conta de sua intimidade, entrevistamos o nosso mais novo membro da equipe!

Degustem sem moderação!

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Objection!

25 03 2009

Vodpod videos no longer available.

No último sábado, dia 21 de março, teve início a minha coluna, “Objection!”.  Estreado por uma entrevista e uma edição introdutória, o espaço no portal EArena Games, é voltado para a discussão mensal de tópicos como a narrativa e cultura nos games. O nome da coluna não é resultado somente da minha graduação jurídica, mas especialmente em razão do icônico grito do personagem Phoenix Wright. Ninguém melhor que ele para representar o direito, o debate e a objeção nos jogos eletrônicos.

Os assuntos abordados vão variar, desde questões polêmicas como proibições de jogos, assim como a presença de DRM nos mesmos, até outras questões mais técnicas como estratégias utilizadas para transmitir enredos e diálogos em jogos.

Apesar de ser uma coluna, eu incentivo o debate. Primeiro exponho meu entendimento, mas em seguida abro espaço para comentários. Não há qualquer tema que não possa ser aprimorado por uma boa argumentação. Logo, espero que os leitores tenham voz e façam bom uso dela para expor críticas e sugestões que possam contribuir para a formarção de uma consciência gamer.

Assim como a coluna de Indie Games do Game Cultura, o conteúdo da Objection! será disponibilizado aqui no Vagrant Bard. Acompanhe e comente.

Para mais informações entre em contato comigo ou visite Objection!.





Sexo Experimental no Wii

9 02 2009

Dark Room Sex Game pode não ser dos títulos mais elaborados, mas certamente é um experimento audacioso. Não é todo dia que um jogo “erótico” é desenvolvido para o Wii, apesar das inúmeras piadas em função do Wiimote, e há aqueles – como eu – que enxergam vários outros atributos. O jogo foi enviado para a Independent Games Festival (IGF) desse ano e por ser considerado um “party game” merece destaque. Eis o porquê:

Dark Room Sex Game foi desenvolvido a partir do Nordic Game Jam – evento anual de criação de protótipos de jogos, sediado na IT University of Copenhagen, durante o período de um fim de semana. Tomando por base a temática obrigatória “taboo”, os criadores chegaram no resultado que é um jogo para até quatro pessoas, no qual os jogadores precisam sincronizar os seus ritmos até eventualmente atingir o orgasmo. O diferencial é que não há qualquer representação visual. Apenas o som e a vibração do controle indicarão erros e acertos.

De acordo com os desenvolvedores, essa decisão foi tomada com a finalidade de criar uma situação humorada e constrangedora entre os jogadores. Com uma tela preta, a atenção dos olhos se volta para as outras pessoas participando e os seus gestos comprometedores. Prevalece a imaginação de cada um e não mais estão quatro pessoas reunidas observando fixamente interfaces digitais, como em Rock Band por exemplo. Da mesma forma, cada jogador precisa treinar o seu ritmo individual acompanhando a gradação.

Dark Room Sex Game pode ser baixado no site, tanto para Windows como Mac OSX. Mesmo que o jogo propriamente dito não esteja disponível no console Wii, os Wiimotes são compatíveis com os computadores via conexão bluetooth. De acordo com os seus criadores, o jogo pode ser visto como um comentário a respeito da atenção dada ao aspecto visual tanto no âmbito sexual como dos videogames ou simplesmente como um bom jogo para várias pessoas.

Eu encaro das duas formas, além de ser um importante experimento.

Fonte: Game Career Guide